
A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar. Sabe quando vai dar?
Mas, de vez em quando, as coisas mudam assim. De uma hora pra outra. A vida é tecelã imprevisível. Sinceramente...
E tudo começou bem antes. Talvez há uns anos. Faz um tempo, eu sei. Porém nunca foi algo concreto, digamos. Ao seu ponto de vista, qualquer mínimo detalhe era obstáculo. Não que tenham sido levados em consideração para aquelas vezes, mas é bom não analisarmos tanto assim.
Houve um dia em que tudo foi mais além. O interesse, as propostas, as palavras... Deu vontade de ficar mais tempo junto, deu vontade de levar essa história até o fim.
De alguma forma, eu quis levar até o fim. Por nós dois. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. E talvez cada detalhe transformava a magia em um futuro perfeito.
Na madrugada, a música ao vivo trouxe sonhos bons: "Cuide bem do ser amor, seja quem for..." Paralamas caia bem naquele momento. Faltava só você.
Foi assim, foi acreditando nisso, que deixei com que você descobrisse o mais profundo e íntimo de mim... Como não havia permitido que ninguém antes o fizesse. E você sempre soube que era isso, que era o único.
Talvez não exista um motivo real e lógico, ou talvez nem exista sequer um motivo, mas, meu Deus!, como você me dói de vez em quando. E como me dói ultimamente. E já não sei mais agir diante da sua indiferença, a não ser com uma indiferença ainda maior. E orgulho. Não é que não doa... Mas a falsa sensação de alívio faz com que eu me sinta quase tão bem como deveria estar. E disfarça do mundo.
Recuso todos os toques e ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela.
Sorrio. Como se fosse verdade, como se não passasse de um sonho ruim. E volto a caminhar sem olhar para os lados, só para não sentir que você já não está ali. E evito olhar para mim, dentro e fora, para não sentir que agora somos só lembrança e marcas.
O fim da tarde chega e nem dou conta, e nem quero notar. Daí penso em coisas bobas quando, sentada na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.
Às vezes, quando ainda valia a pena, eu ficava horas pensando que podia voltar tudo a ser como antes.
E não me sinto no direito de colocar um fim nisso sozinha, pois ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente.

"Confesso que esperava um sorriso ou qualquer outra manifestação dessas de afeto. Mas não houve nada disso".
[frase final e itálicos: caio f]